Ela virou o disco e colocou a música que ele mais gostava. Voltou dançando com os pés descalços no chão e sentindo o frio do piso lhe arrepiar a espinha. Ele observava tudo atento, debaixo de um cobertor rasgado e perfumado pelo aroma a dois. Ela sorriu e o chamou pra dançar. Antes de aceitar o pedido, ele olhou pela janela e admirou o entardecer. Ainda era outono e as folhas caíam. Ele sorriu, se levantou e foi até ao encontro dela. A música cantava suavemente no toca discos antigo que encontraram no porão. Cada nota melodiando lentamente o encontro daqueles corpos sedentos. Ele a abraçou e os dois, enfim, começaram a dançar, rodopiar, se expandir. Fizeram daquela sala seu altar, sua pista, sua vista pro mar. Eles não conseguiam parar. Se jogavam em meio aos acordes, sorrindo um para o outro como duas crianças que juram amizade eterna. Se deliciavam em perceber que a chuva que caía la fora não podia os alcançar, não podia os impedir, não podia os acordar. Depois de mais alguns rodopios, a música ditou o fim e o silêncio tomou a sala. Foi quando, num beijo, os dois erraram o passo e decidiram voltar ao aconchego do sofá.
Como num filme dirigido por um deus amante, você me chega sorrindo pedindo por mais. Eu que guardo no peito todo o amor do mundo, não nego e lhe entrego tudo aquilo que me pedes. (Um beijo, é só isso que eu quero).
Como numa composição escrita por um anjo errante, você me chega em chamas pedindo por paz. Eu que guardo no leito toda a harmonia do mundo, não nego e lhe entrego a calmaria do vento que me pedes. (Um beijo, é só isso que eu quero).
Como num sonho sentido por um coração pulsante, você me chega sozinho pedindo por nós. Eu que guardo com jeito toda a vontade do mundo, não nego e lhe sou tudo que me pedes. (Seu beijo, é só isso que eu quero).
vou lhe bebendo de dose em dose
lentamente para não enlouquecer
mas em meu sangue corre a vontade
a vontade incontrolável de gritar
e pedir por mais
“outra dose, garçom
pode virar”
a vontade interminável de lhe beber
me embebedar de você
me embebedar de seus charmes
poréns e quem sabe
matar a sede que corta minha alma
e que me faz sofrer por querer um pouco mais
outra dose
o fim da paz
de você me embriagar
daqueles que surgem através de conversas no whatsapp com os amigos ♥
lentamente para não enlouquecer
mas em meu sangue corre a vontade
a vontade incontrolável de gritar
e pedir por mais
“outra dose, garçom
pode virar”
a vontade interminável de lhe beber
me embebedar de você
me embebedar de seus charmes
poréns e quem sabe
matar a sede que corta minha alma
e que me faz sofrer por querer um pouco mais
outra dose
o fim da paz
de você me embriagar
daqueles que surgem através de conversas no whatsapp com os amigos ♥
ah! se eu fosse te dar um nome
diferente do que já tens
teu nome seria "poesia"
daquela sem rima, sem métrica
sem linha
poesia confusa, difusa
na entrelinha
versos embriagados
tragados em madrugadas
sonhos e canções
versos envergonhados
perdidos em medos
e ambições
versos que ao sorrir
alinham o mundo na mais perfeita
obra-prima
ah! se eu fosse te dar um nome
diferente do que já tens
teu nome seria "poesia"
a poesia da minha insensatez
a poesia de minhas ilusões
a poesia mais bonita já escrita por alguém
diferente do que já tens
teu nome seria "poesia"
daquela sem rima, sem métrica
sem linha
poesia confusa, difusa
na entrelinha
versos embriagados
tragados em madrugadas
sonhos e canções
versos envergonhados
perdidos em medos
e ambições
versos que ao sorrir
alinham o mundo na mais perfeita
obra-prima
ah! se eu fosse te dar um nome
diferente do que já tens
teu nome seria "poesia"
a poesia da minha insensatez
a poesia de minhas ilusões
a poesia mais bonita já escrita por alguém
na desarmonia de nossos sons
no meio da multidão
venço a tola timidez
e lhe tiro para dançar
tento, em vão, ensinar o seu passo
a se alinhar juntamente com o meu
na composição em tom menor
embalada por um cantor
você, desajeitado, erra o tempo
o modo, espaço
erra o compasso, se enche de nós
e eu, de tão perto, sorrio sem jeito
sem saber se devo correr
achar outro par
beijar sua boca
ou continuar a dançar
no meio da multidão
venço a tola timidez
e lhe tiro para dançar
tento, em vão, ensinar o seu passo
a se alinhar juntamente com o meu
na composição em tom menor
embalada por um cantor
você, desajeitado, erra o tempo
o modo, espaço
erra o compasso, se enche de nós
e eu, de tão perto, sorrio sem jeito
sem saber se devo correr
achar outro par
beijar sua boca
ou continuar a dançar
Hoje eu não quero rimar. Quero apenas um violão, uma sombra e você no meu abraço. Eu, que poucas notas sei tocar, lhe escreveria uma canção com apenas dois acordes, só para lhe ter perto ouvindo atento meus segredos melodiados nessa estranha afinação. Eu, que pouco sei sobre você, aqui, lhe seria tudo que me pedisse. O sol banhando seu corpo, o vento tocando meu rosto, e no ar o silêncio que grita mil versos, nos chama pra vida, pro mundo, no intenso. No céu, nuvens brincam de ciranda, e então somos duas crianças rindo do tempo. Como num sonho. Um sonho dentro de um sonho. Um sonho onde eu encontrava você. Um sonho que não precisa acabar.
Caminho pela chuva fina enquanto o dia se desfaz lentamente por trás das nuvens. Apesar da saudade em meu peito, eu me sinto em paz. Pouco a pouco as pessoas saem de suas casas, agora já sem medo da água, e eu levemente ensopado procuro qualquer lugar para sentar e observar a noite cair. O sol já se foi e eu não sei o que sinto. Canto qualquer melodia em assovio enquanto avisto as primeiras estrelas surgirem por entre as nuvens escuras. Eu penso em você por alguns segundos, mas logo em seguida desvio pela direita para algum pensamento inútil ou banal. Já passou, como a chuva. Vejo que todos os cantos da cidade estão molhados, assim como minha camisa e meu jeans rasgado, e começo a ansiar por companhia. Talvez a lua apareça por aqui. Enquanto penso nisso, carros iluminam o brilho do asfalto, crianças correm por todos os lados, e a hora passa sem avisar quando ir embora. Outro carro, um cachorro molhado, um casal de namorados e um pai preocupado. Eu continuo a olhar pro céu, continuo a assoviar, continuo a sentir essa paz estranha gritando em meu peito como pequenos pássaros a cantarolar. Então, a lua apareceu. E com ela fui para casa, onde tirei meus sapatos, minha roupa e, nu, fui até minha cama sonhar com anjos.
Eu quero te observar enquanto procura novas formas nas nuvens do céu. Eu quero te ouvir cantar nossa música favorita enquanto caminhamos pela rua sem direção. Eu quero te ver dançar em frente ao espelho enquanto dedilho no violão as cantigas que na infância nos embalaram. Eu quero te contar meus segredos enquanto observamos as estrelas da noite fria. Eu quero te ver dormir em meu colo nos finais de tarde quentes de janeiro. Eu quero pedir sua mão e observar seus lindos olhos se arregalarem em surpresa.
Eu quero te ver subir no altar exalando amor,
E ao exalar seu amor, ser todo seu.
Eu quero te ver estrelada vestida de céu,
E fazer da sua vida uma eterna lua de mel.
Texto: Mariana Gil
Fotografia: Yasmim Rodrigues
"A vida em marés" é uma parceria do blog Mar e Gil com a fotógrafa Yasmim Rodrigues. Todas as segundas uma nova foto e um novo texto será postado na page dela, unindo sentimentos, letras, olhares, lembranças e amor.
Conheça mais seu trabalho:
ele tragou mais uma vez
antes de me olhar nos olhos
e dizer:
faça-me uma canção
corei na timidez
com medo de não conseguir
transpor tamanha perfeição
em minha composição humilde
o fitei em resposta, aflita
esperando que me mostrasse
por onde seguir, em que tom começar
as notas a montar
ele nada disse, apenas se aproximou
e de tão perto pude ouvir em seu peito
as batidas que seu coração aflito dava
a música que em seu leito guardava
juntei-me a ele em calor
dos seus lábios fiz meu compasso
até compor na ternura daqueles braços
minha mais perfeita canção
antes de me olhar nos olhos
e dizer:
faça-me uma canção
corei na timidez
com medo de não conseguir
transpor tamanha perfeição
em minha composição humilde
o fitei em resposta, aflita
esperando que me mostrasse
por onde seguir, em que tom começar
as notas a montar
ele nada disse, apenas se aproximou
e de tão perto pude ouvir em seu peito
as batidas que seu coração aflito dava
a música que em seu leito guardava
juntei-me a ele em calor
dos seus lábios fiz meu compasso
até compor na ternura daqueles braços
minha mais perfeita canção
![]() |
| Desenho: Raphael Brensis |
Pele de Iracema
Olhar de Capitu
Na tribo distante
Brotou como em flor
Cresceu sob o olhar
De quem a criou
Perfume de rosa
Raio de sol
Dona da lua
Do rio, da montanha
De dia cigana
De noite estrelas
Constelação
Índia dos ventos
Nascida no pó
Lábios carnudos
Selvagens e puros
Rainha das árvores
Da chuva, do tempo
Rainha de todos os pensamentos
Deusa dos céus
Infernos e meios
Guerreira da mata
Do som, dos apelos
Lança-me a lança
Do olhar, dos desejos
Lança-me à vida por inteiro
danço
e não me canso
e no balanço
me lanço
até seus braços
seus fortes braços,
meu amor
e não me canso
e no balanço
me lanço
até seus braços
seus fortes braços,
meu amor
Eu não sei explicar esse turbilhão de sentimentos que tem invadido minha corrente sanguínea como a água das correntezas do rio mais forte. Não sei explicar de onde vem essa vontade estranha de querer ouvir todas as palavras do mundo pelo som da tua voz. Não sei porque tenho passado as noites em claro escrevendo poemas baratos só para te ver sorrir. Eu que já sabia de pouquíssimas coisas, hoje de nada sei. Não sei que horas são, nem se vai chover, muito menos qual é a oração em que devo me apoiar. Não sei para onde ir, onde ficar, e muito menos qual o momento de sair. Eu só quero entrar. Entrar nesse teu coração ferido e manchado, entrar na tua casa forrada de trapos, entrar na tua mente e concertar os estragos. Eu só quero rimar. Meu nome com o teu, minha boca na tua, dançar com você no meio da rua. Eu só quero amar.
tinha eu
essa estranha mania
de, por vozes que ouvia,
me apaixonar
harmoniosos acordes
agudos, tons fortes
simples estrofes
me levavam o ar
de noite ou de dia
eu sonhava, sofria
com a voz de um deus
a me acalentar
foi quando, sem jeito
num meio de um beijo
sua voz me chamou
bem solta a voar
fiquei sem saída
perdida na rima
de uma canção
que insistia em cantar
você me pedia
falava, insistia
e pela sua voz
resolvi me entregar
essa estranha mania
de, por vozes que ouvia,
me apaixonar
harmoniosos acordes
agudos, tons fortes
simples estrofes
me levavam o ar
de noite ou de dia
eu sonhava, sofria
com a voz de um deus
a me acalentar
foi quando, sem jeito
num meio de um beijo
sua voz me chamou
bem solta a voar
fiquei sem saída
perdida na rima
de uma canção
que insistia em cantar
você me pedia
falava, insistia
e pela sua voz
resolvi me entregar
eu sou quem eu sou
por ser
sem medo
sem meio
e semeio
na alma
toda dor e
amor que deságua
do leito
do peito
na estrada
sou um barco
em alto mar
por ser
sem medo
sem meio
e semeio
na alma
toda dor e
amor que deságua
do leito
do peito
na estrada
sou um barco
em alto mar
Depois de algumas doses tomei coragem e olhei nos seus olhos: eles eram lindos. Eu já havia conhecido antes olhos bonitos, mas não como os seus. Eles me fitavam intensamente, e pareciam querer dizer algo, algo que eu ainda não sabia. Olhei para o lado timidamente tentando não parecer confusa, mas eu estava. Não sabia direito o que ali estava fazendo, nem o por que de você estar sentado naquela mesa, naquela noite, daquele jeito. Tomei mais uma dose e olhei novamente para os seus olhos. Você sorriu e perguntou se eu queria um gole de whisky. Eu aceitei. Beberiquei de um gole tímido mas deixei a marca do meu batom vermelho. Você tomou o copo para si novamente, observou a marca e ali bebeu como se me beijasse. Apesar disso eu só conseguia olhar para os seus olhos. Eu estava hipnotizada pelos seus olhos e já nada podia fazer. Alguma música de algum cantor tocava nas caixas de som, e meus amigos me acenavam cantando aquelas estrofes conhecidas, mas que eu não conseguia identificar. Eu só ouvia a melodia dos seus olhos, eu só contava o compasso dos seus olhos. Você se aproximou, disse que estava embriagado e perguntou se eu também estava. Sorri, e disse que sim. Estava embriagada pela beleza dos seus olhos.
Texto: Mariana Gil
Fotografia: Yasmim Rodrigues
"A vida em marés" é uma parceria do blog Mar e Gil com a fotógrafa Yasmim Rodrigues. Todas as segundas uma nova foto e um novo texto será postado na page dela, unindo sentimentos, letras, olhares, lembranças e amor.
Conheça mais seu trabalho:
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| Poema na Edição nº 11 do Jornal O Duque |
“...teu rosto nunca me deu trégua”
Deixastes a casa vazia
Vazia como a dor que em meu peito se manifesta
Mulher Irene, quanta saudade traz tua ausência.
Em minha pele ainda guardo
Marcas de tua boca cor de sangue
E de tua selvageria que me atacava os sentidos.
És a agonia que sinto em meu corpo
O sopro distante do vento que corre...
A gaveta da direita abriga versos inacabados
Rimas incompletas que levam o cheiro de teu suor
O suor de tua pele macia e quente como o fogo.
Mulher Irene
O telefone silenciado já não chama por teu nome
E o rádio incomodado já não canta nossas canções
Tudo é cinza em tua ausência
Desde a brasa da lareira até os raios de sol
Tudo é ontem ou amanhã, nunca hoje
Nunca brilha, tudo é depois,
Tudo jamais chega.
Quero matar a saudade de fome e solidão
Me alimentar dos raios da lua que choram na noite
Adentrar a madruga com pensamentos de relógio
E buscar a manhã esquecendo que chegamos a existir
Não existíamos.
Mulher Irene, quanto desejo traz tua lembrança
Quanta sede deixastes nesse solo que não pode vestir chuva
Meus amores inquietantes em teu coração pulsante
Nossas almas frente à frente
O teu beijo!
Tua mão em minha nuca...
Nossas cores entre lençóis, suspiros e gemidos
Nossas notas melodiando até a lua e as estrelas
Tu e eu, Irene
Pronomes aquarelados em cinza e abandono
A vida era viva por viver em teus feitiços
O amor transbordava e invadia os teus planos
Eu podia ver através dos teus olhos
Penetrar tua alma com segredos e venturas
Segurar tuas mãos frias enquanto caminhava a esmo...
Mulher Irene, hoje não me resta muito
Alguns cigarros baratos, um violão desafinado
Roupas de cama sujas, sua marca de batom
Flores por regar em vasos tortos na janela...
Irene, Irene
Quero novamente ouvir a tua risada
Irene, ri
Quero morrer tarde e te enterrar com a mágoa
Foi você um dos primeiros a me aquecer como o sol aquece a vida. Fazia de ti um ninho seguro para repousar meus medos, sentimentos e cansaços. Noite após noite éramos você e eu, como amigos, como amantes, como duas almas em uma terna união.
Mas o tempo, traiçoeiro, desgastou tuas forças, te rasgou o peito, te levou para longe. E hoje, nesta noite fria, nessa cama vazia, sinto na pele a sua falta, meu querido cobertor.
(sobre quando meu cobertor favorito rasgou e minha mãe o deu embora)
diretamente em seus olhos fitei
forte e destemido me encontrou
e o meu, de tonto, se desviou.
correu a noite, escuridão
e algumas luzes em volta observando
os seus olhos de encontro aos meus
por um segundo
coração acelerado se derreteu.
se foi sonho, embriaguez
lucidez ou confusão
nunca irei entender
mas como esquecer aqueles olhos
que na calada da noite longa
insistiam em querer me comer?
Separei toda a felicidade do mundo e guardei aqui nesse potinho para você usar. Não se acanhe, chegue mais. Tem felicidade suficiente para gargalhar a vontade, para amar a vontade e quem sabe cair de vez em quando. Nesse potinho coloquei felicidade suficiente para lhe ver dançar suas músicas favoritas enquanto o sol se põe; felicidade suficiente para lhe ver pintando em aquarela as paisagens mais bonitas que seus olhos irão ver; felicidade suficiente para amar outra vez. Dentro desse potinho há felicidade para alimentar a alma em canção, fé em coração, ou até mesmo uma nação. Dentro desse potinho há sorrisos reluzentes de inocentes amantes, viajantes, inquietantes. Há esperança. Há carinho. Dentro desse potinho há um mundo inteiro. Por isso, não se acanhe. Aceite meu humilde presente, e me deixe usar toda essa felicidade ao seu lado.
Texto: Mariana Gil
Fotografia: Yasmim Rodrigues
"A vida em marés" é uma parceria do blog Mar e Gil com a fotógrafa Yasmim Rodrigues. Todas as segundas uma nova foto e um novo texto será postado na page dela, unindo sentimentos, letras, olhares, lembranças e amor.
Conheça mais seu trabalho:
Pense um pouco em nós
No que se foi, no que restou
Respire fundo, devagar
Há silêncio em todo canto
Há promessas em abandono
Pense um pouco em nós
E, quem sabe, perceba
Todo amor que foi claro e devoto
Como freiras à imagem compadecida
E o rio se entregando ao alto mar
Pense um pouco
Em nós
Em mim
Você
No Caetano cantando no rádio
E na chuva caindo lá fora
Pense um pouco
Pense mais
Eternize
Vamos viver em paz
No que se foi, no que restou
Respire fundo, devagar
Há silêncio em todo canto
Há promessas em abandono
Pense um pouco em nós
E, quem sabe, perceba
Todo amor que foi claro e devoto
Como freiras à imagem compadecida
E o rio se entregando ao alto mar
Pense um pouco
Em nós
Em mim
Você
No Caetano cantando no rádio
E na chuva caindo lá fora
Pense um pouco
Pense mais
Eternize
Vamos viver em paz
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