Você sempre soube ler minhas entrelinhas
Desde o primeiro momento se afundou em minhas rimas.
Somos como um livro aberto em que todos podem ler
– Mas ninguém pode entender.
Vi em algum lugar que fomos feitos para não ser
Eu: áries
Você: escorpião
Nenhuma salvação ao alcance
E mesmo que eu não acredite nos signos
Nos astros, nem pássaros
Aceito nosso destino: fomos feitos para queimar
Nas brasas de tantas vontades
No fogo de infinitas saudades
No calor de nossas roupas sempre prontas para ir ao chão
– Mas não
Jogamos nossas cinzas ao ar.
Você sempre soube o que dizer
Desde o primeiro momento mergulhou em minhas linhas.
Somos como tempestade de verão que destrói a beira da praia
Mas no fim do mesmo dia cede espaço ao luar.
Eu: áries
Você: escorpião
Se nem o horóscopo sabe o que dizer
Para nós não há previsão
Desde o primeiro momento se afundou em minhas rimas.
Somos como um livro aberto em que todos podem ler
– Mas ninguém pode entender.
Vi em algum lugar que fomos feitos para não ser
Eu: áries
Você: escorpião
Nenhuma salvação ao alcance
E mesmo que eu não acredite nos signos
Nos astros, nem pássaros
Aceito nosso destino: fomos feitos para queimar
Nas brasas de tantas vontades
No fogo de infinitas saudades
No calor de nossas roupas sempre prontas para ir ao chão
– Mas não
Jogamos nossas cinzas ao ar.
Você sempre soube o que dizer
Desde o primeiro momento mergulhou em minhas linhas.
Somos como tempestade de verão que destrói a beira da praia
Mas no fim do mesmo dia cede espaço ao luar.
Eu: áries
Você: escorpião
Se nem o horóscopo sabe o que dizer
Para nós não há previsão
Acho que foi ontem
A última vez que tentei escrever e não consegui
Como nas outras tantas tentativas vãs que se perderam no ar
O vinho acabou, o cigarro também
Mas a poesia não
Ela grita em meu peito como cavalos de guerra.
Ora, mas se a poesia ainda não morreu
Onde se escondem as palavras?
“Boa pergunta”, vão dizer
E mesmo assim não saberei responder.
Vou vestir cada letra, tal a qual
Como criança sendo alfabetizada
Se emoldurando em rimas novas e, em sua maioria, bobas
Como outrora escrevi para meus amantes
Para a lua, e para o mar.
Vou contar nas entrelinhas minhas não findas paixões
Vícios e pecados
Como o leigo aos pés da cruz implorando o perdão do pai
“Piedade”, vão dizer
E mesmo assim vou vacilar.
Vou poetizar o céu, as águas, seu olhar
E como, em outra vida
Você foi a bala que me matou na guerra.
Vou escrever
Pela pura vaidade de me construir em cada verso
Pelo puro prazer de desconstruir meus inversos
Pela pura beleza de falar de você
Não aceito mais migalhas
Nem retalhos rasgados e desbotados
Quero (me) ser por inteiro
Cada canto em encanto com meus versos
Reversos, percepções
Voar de mar a mar sem prisões
Amarras, ilusões
Sorrir sem querer
Chorar por pedir
Que a alma se lave
Que a alma flua, usufrua
Do amor
Da paz
Da solidão e alegria
De ser verdadeiramente eu mesma
Você vai acender mais um cigarro
E lembrar que a hora não passou
Tic tac tic tac
Todos falam sem parar
E o mundo ao redor
Gira, gira, gira
Rodopia em sincronia
Com os planetas e, quem sabe, cometas
Corpos estranhos de luz
Borboletas
Você vai dar um gole naquele whisky
Daquela marca, daquele ano
Acho que é o favorito do seu pai
Eu não sei, talvez do seu avô
Ou de ninguém
Quem sabe o meu
Mas eu odeio whisky
Tanto quanto odeio os planetas, cometas
E borboletas
Tudo gira, gira, gira
O cigarro queima, a pia pinga
A hora não passa, você não liga
E eu continuo sóbria, continuo morna
Perdida
Todos falam sem parar
E você acende outro cigarro
Daqueles baratos meio que em retalhos
Acho que é o favorito do seu pai
Eu não sei, talvez do seu avô
Ou de ninguém
A hora ainda não passou, você não ligou
E na noite não há luar
Tic tac tic tac
Texto: Mariana Gil
Ilustração: Giovanna Defacio
E lembrar que a hora não passou
Tic tac tic tac
Todos falam sem parar
E o mundo ao redor
Gira, gira, gira
Rodopia em sincronia
Com os planetas e, quem sabe, cometas
Corpos estranhos de luz
Borboletas
Você vai dar um gole naquele whisky
Daquela marca, daquele ano
Acho que é o favorito do seu pai
Eu não sei, talvez do seu avô
Ou de ninguém
Quem sabe o meu
Mas eu odeio whisky
Tanto quanto odeio os planetas, cometas
E borboletas
Tudo gira, gira, gira
O cigarro queima, a pia pinga
A hora não passa, você não liga
E eu continuo sóbria, continuo morna
Perdida
Todos falam sem parar
E você acende outro cigarro
Daqueles baratos meio que em retalhos
Acho que é o favorito do seu pai
Eu não sei, talvez do seu avô
Ou de ninguém
A hora ainda não passou, você não ligou
E na noite não há luar
Tic tac tic tac
Texto: Mariana Gil
Ilustração: Giovanna Defacio
Você me ensinou a ler o futuro
E do meu futuro fez um buraco sem beira
Onde eu poderia me esconder
Quando você fugisse levando meus versos
Quando você partisse esquecendo de tudo
De repente o mundo me engolia
Como você fazia comigo no escuro
Como você fazia comigo nos cantos
Os cantos onde você me ensinou a fazer fogo
Passeando com as mãos a procura de lenha
Invadindo meu ventre pedindo silêncio
Invadindo minha mente suplicando: “venha”
Mas eu não fui
Lancei água na fogueira e ignorei o desejo
De me queimar em suas chamas
E me perder em seus lençóis
Me inflamar em suas promessas
Completar as suas rimas
[com as minhas]
Mesmo sentindo queimar o sangue
Mesmo sentindo vontade de gritar
E gemer no seu ouvido
Como fogo em gasolina
Consumir até não mais estar
Eu não fui, resolvi ficar
Você me olhou por um segundo
Sentindo a ira lhe dominar, mas nada fez
Com suas chamas acendeu um cigarro
Seguiu a noite na avenida
Sem olhar para trás
E nem me dizer o seu nome
E do meu futuro fez um buraco sem beira
Onde eu poderia me esconder
Quando você fugisse levando meus versos
Quando você partisse esquecendo de tudo
De repente o mundo me engolia
Como você fazia comigo no escuro
Como você fazia comigo nos cantos
Os cantos onde você me ensinou a fazer fogo
Passeando com as mãos a procura de lenha
Invadindo meu ventre pedindo silêncio
Invadindo minha mente suplicando: “venha”
Mas eu não fui
Lancei água na fogueira e ignorei o desejo
De me queimar em suas chamas
E me perder em seus lençóis
Me inflamar em suas promessas
Completar as suas rimas
[com as minhas]
Mesmo sentindo queimar o sangue
Mesmo sentindo vontade de gritar
E gemer no seu ouvido
Como fogo em gasolina
Consumir até não mais estar
Eu não fui, resolvi ficar
Você me olhou por um segundo
Sentindo a ira lhe dominar, mas nada fez
Com suas chamas acendeu um cigarro
Seguiu a noite na avenida
Sem olhar para trás
E nem me dizer o seu nome
Guardei-te seguro e chamei de saudade
Desde o dia em que deixastes meu olhar
E, sozinho, partistes pela vida.
Teu nome, saudade, em voz alta não digo
E nem me atrevo pensar o que perdemos
Ou devemos
Mas te vi passar, ontem mesmo
Em um carro branco de modelo qualquer
E percebi, saudade, que fazes falta.
Tinha muito a te dizer
Muito a escutar mas: puf
Virastes minha saudade
E nesse cargo permanecerás
Até que no mesmo caminho
Eu volte a te encontrar
Desde o dia em que deixastes meu olhar
E, sozinho, partistes pela vida.
Teu nome, saudade, em voz alta não digo
E nem me atrevo pensar o que perdemos
Ou devemos
Mas te vi passar, ontem mesmo
Em um carro branco de modelo qualquer
E percebi, saudade, que fazes falta.
Tinha muito a te dizer
Muito a escutar mas: puf
Virastes minha saudade
E nesse cargo permanecerás
Até que no mesmo caminho
Eu volte a te encontrar
adultos não sentam em escadas, você disse
e o que nós somos?sentados no degrau médio observando a praça
a noite, a massa
o que nós somos?
talvez sejamos apenas duas crianças
que na inocência do mundo se conheceram
que na doçura da vida se leram
em algum poema perdido no vento
adultos não sentam em escadas, você disse
e o que nós somos?
ali sentados contando histórias
entre beijos e abraços pintados em aquarela
sentindo no peito as novidades dessa canção tranquila
essa canção amiga
o que nós somos?
talvez sejamos apenas dois adolescentes idiotas
que na intensidade do mundo se conheceram
numa viagem para o litoral
adultos não sentam em escadas, você disse
e mesmo assim sentamos nelas
sem sequelas ou temporais
mesmo assim nelas passamos as noites
rindo de quem não pode sentir
rindo de quem um dia cresceu ignorando o conforto dos degraus
a magia dos saraus, o luar do olhar
o que nós somos?
não importa
em escadas podemos sentar
Ela virou o disco e colocou a música que ele mais gostava. Voltou dançando com os pés descalços no chão e sentindo o frio do piso lhe arrepiar a espinha. Ele observava tudo atento, debaixo de um cobertor rasgado e perfumado pelo aroma a dois. Ela sorriu e o chamou pra dançar. Antes de aceitar o pedido, ele olhou pela janela e admirou o entardecer. Ainda era outono e as folhas caíam. Ele sorriu, se levantou e foi até ao encontro dela. A música cantava suavemente no toca discos antigo que encontraram no porão. Cada nota melodiando lentamente o encontro daqueles corpos sedentos. Ele a abraçou e os dois, enfim, começaram a dançar, rodopiar, se expandir. Fizeram daquela sala seu altar, sua pista, sua vista pro mar. Eles não conseguiam parar. Se jogavam em meio aos acordes, sorrindo um para o outro como duas crianças que juram amizade eterna. Se deliciavam em perceber que a chuva que caía la fora não podia os alcançar, não podia os impedir, não podia os acordar. Depois de mais alguns rodopios, a música ditou o fim e o silêncio tomou a sala. Foi quando, num beijo, os dois erraram o passo e decidiram voltar ao aconchego do sofá.
Como num filme dirigido por um deus amante, você me chega sorrindo pedindo por mais. Eu que guardo no peito todo o amor do mundo, não nego e lhe entrego tudo aquilo que me pedes. (Um beijo, é só isso que eu quero).
Como numa composição escrita por um anjo errante, você me chega em chamas pedindo por paz. Eu que guardo no leito toda a harmonia do mundo, não nego e lhe entrego a calmaria do vento que me pedes. (Um beijo, é só isso que eu quero).
Como num sonho sentido por um coração pulsante, você me chega sozinho pedindo por nós. Eu que guardo com jeito toda a vontade do mundo, não nego e lhe sou tudo que me pedes. (Seu beijo, é só isso que eu quero).
vou lhe bebendo de dose em dose
lentamente para não enlouquecer
mas em meu sangue corre a vontade
a vontade incontrolável de gritar
e pedir por mais
“outra dose, garçom
pode virar”
a vontade interminável de lhe beber
me embebedar de você
me embebedar de seus charmes
poréns e quem sabe
matar a sede que corta minha alma
e que me faz sofrer por querer um pouco mais
outra dose
o fim da paz
de você me embriagar
daqueles que surgem através de conversas no whatsapp com os amigos ♥
lentamente para não enlouquecer
mas em meu sangue corre a vontade
a vontade incontrolável de gritar
e pedir por mais
“outra dose, garçom
pode virar”
a vontade interminável de lhe beber
me embebedar de você
me embebedar de seus charmes
poréns e quem sabe
matar a sede que corta minha alma
e que me faz sofrer por querer um pouco mais
outra dose
o fim da paz
de você me embriagar
daqueles que surgem através de conversas no whatsapp com os amigos ♥
ah! se eu fosse te dar um nome
diferente do que já tens
teu nome seria "poesia"
daquela sem rima, sem métrica
sem linha
poesia confusa, difusa
na entrelinha
versos embriagados
tragados em madrugadas
sonhos e canções
versos envergonhados
perdidos em medos
e ambições
versos que ao sorrir
alinham o mundo na mais perfeita
obra-prima
ah! se eu fosse te dar um nome
diferente do que já tens
teu nome seria "poesia"
a poesia da minha insensatez
a poesia de minhas ilusões
a poesia mais bonita já escrita por alguém
diferente do que já tens
teu nome seria "poesia"
daquela sem rima, sem métrica
sem linha
poesia confusa, difusa
na entrelinha
versos embriagados
tragados em madrugadas
sonhos e canções
versos envergonhados
perdidos em medos
e ambições
versos que ao sorrir
alinham o mundo na mais perfeita
obra-prima
ah! se eu fosse te dar um nome
diferente do que já tens
teu nome seria "poesia"
a poesia da minha insensatez
a poesia de minhas ilusões
a poesia mais bonita já escrita por alguém
na desarmonia de nossos sons
no meio da multidão
venço a tola timidez
e lhe tiro para dançar
tento, em vão, ensinar o seu passo
a se alinhar juntamente com o meu
na composição em tom menor
embalada por um cantor
você, desajeitado, erra o tempo
o modo, espaço
erra o compasso, se enche de nós
e eu, de tão perto, sorrio sem jeito
sem saber se devo correr
achar outro par
beijar sua boca
ou continuar a dançar
no meio da multidão
venço a tola timidez
e lhe tiro para dançar
tento, em vão, ensinar o seu passo
a se alinhar juntamente com o meu
na composição em tom menor
embalada por um cantor
você, desajeitado, erra o tempo
o modo, espaço
erra o compasso, se enche de nós
e eu, de tão perto, sorrio sem jeito
sem saber se devo correr
achar outro par
beijar sua boca
ou continuar a dançar
Hoje eu não quero rimar. Quero apenas um violão, uma sombra e você no meu abraço. Eu, que poucas notas sei tocar, lhe escreveria uma canção com apenas dois acordes, só para lhe ter perto ouvindo atento meus segredos melodiados nessa estranha afinação. Eu, que pouco sei sobre você, aqui, lhe seria tudo que me pedisse. O sol banhando seu corpo, o vento tocando meu rosto, e no ar o silêncio que grita mil versos, nos chama pra vida, pro mundo, no intenso. No céu, nuvens brincam de ciranda, e então somos duas crianças rindo do tempo. Como num sonho. Um sonho dentro de um sonho. Um sonho onde eu encontrava você. Um sonho que não precisa acabar.
Caminho pela chuva fina enquanto o dia se desfaz lentamente por trás das nuvens. Apesar da saudade em meu peito, eu me sinto em paz. Pouco a pouco as pessoas saem de suas casas, agora já sem medo da água, e eu levemente ensopado procuro qualquer lugar para sentar e observar a noite cair. O sol já se foi e eu não sei o que sinto. Canto qualquer melodia em assovio enquanto avisto as primeiras estrelas surgirem por entre as nuvens escuras. Eu penso em você por alguns segundos, mas logo em seguida desvio pela direita para algum pensamento inútil ou banal. Já passou, como a chuva. Vejo que todos os cantos da cidade estão molhados, assim como minha camisa e meu jeans rasgado, e começo a ansiar por companhia. Talvez a lua apareça por aqui. Enquanto penso nisso, carros iluminam o brilho do asfalto, crianças correm por todos os lados, e a hora passa sem avisar quando ir embora. Outro carro, um cachorro molhado, um casal de namorados e um pai preocupado. Eu continuo a olhar pro céu, continuo a assoviar, continuo a sentir essa paz estranha gritando em meu peito como pequenos pássaros a cantarolar. Então, a lua apareceu. E com ela fui para casa, onde tirei meus sapatos, minha roupa e, nu, fui até minha cama sonhar com anjos.
Eu quero te observar enquanto procura novas formas nas nuvens do céu. Eu quero te ouvir cantar nossa música favorita enquanto caminhamos pela rua sem direção. Eu quero te ver dançar em frente ao espelho enquanto dedilho no violão as cantigas que na infância nos embalaram. Eu quero te contar meus segredos enquanto observamos as estrelas da noite fria. Eu quero te ver dormir em meu colo nos finais de tarde quentes de janeiro. Eu quero pedir sua mão e observar seus lindos olhos se arregalarem em surpresa.
Eu quero te ver subir no altar exalando amor,
E ao exalar seu amor, ser todo seu.
Eu quero te ver estrelada vestida de céu,
E fazer da sua vida uma eterna lua de mel.
Texto: Mariana Gil
Fotografia: Yasmim Rodrigues
"A vida em marés" é uma parceria do blog Mar e Gil com a fotógrafa Yasmim Rodrigues. Todas as segundas uma nova foto e um novo texto será postado na page dela, unindo sentimentos, letras, olhares, lembranças e amor.
Conheça mais seu trabalho:
ele tragou mais uma vez
antes de me olhar nos olhos
e dizer:
faça-me uma canção
corei na timidez
com medo de não conseguir
transpor tamanha perfeição
em minha composição humilde
o fitei em resposta, aflita
esperando que me mostrasse
por onde seguir, em que tom começar
as notas a montar
ele nada disse, apenas se aproximou
e de tão perto pude ouvir em seu peito
as batidas que seu coração aflito dava
a música que em seu leito guardava
juntei-me a ele em calor
dos seus lábios fiz meu compasso
até compor na ternura daqueles braços
minha mais perfeita canção
antes de me olhar nos olhos
e dizer:
faça-me uma canção
corei na timidez
com medo de não conseguir
transpor tamanha perfeição
em minha composição humilde
o fitei em resposta, aflita
esperando que me mostrasse
por onde seguir, em que tom começar
as notas a montar
ele nada disse, apenas se aproximou
e de tão perto pude ouvir em seu peito
as batidas que seu coração aflito dava
a música que em seu leito guardava
juntei-me a ele em calor
dos seus lábios fiz meu compasso
até compor na ternura daqueles braços
minha mais perfeita canção
![]() |
| Desenho: Raphael Brensis |
Pele de Iracema
Olhar de Capitu
Na tribo distante
Brotou como em flor
Cresceu sob o olhar
De quem a criou
Perfume de rosa
Raio de sol
Dona da lua
Do rio, da montanha
De dia cigana
De noite estrelas
Constelação
Índia dos ventos
Nascida no pó
Lábios carnudos
Selvagens e puros
Rainha das árvores
Da chuva, do tempo
Rainha de todos os pensamentos
Deusa dos céus
Infernos e meios
Guerreira da mata
Do som, dos apelos
Lança-me a lança
Do olhar, dos desejos
Lança-me à vida por inteiro
danço
e não me canso
e no balanço
me lanço
até seus braços
seus fortes braços,
meu amor
e não me canso
e no balanço
me lanço
até seus braços
seus fortes braços,
meu amor
Eu não sei explicar esse turbilhão de sentimentos que tem invadido minha corrente sanguínea como a água das correntezas do rio mais forte. Não sei explicar de onde vem essa vontade estranha de querer ouvir todas as palavras do mundo pelo som da tua voz. Não sei porque tenho passado as noites em claro escrevendo poemas baratos só para te ver sorrir. Eu que já sabia de pouquíssimas coisas, hoje de nada sei. Não sei que horas são, nem se vai chover, muito menos qual é a oração em que devo me apoiar. Não sei para onde ir, onde ficar, e muito menos qual o momento de sair. Eu só quero entrar. Entrar nesse teu coração ferido e manchado, entrar na tua casa forrada de trapos, entrar na tua mente e concertar os estragos. Eu só quero rimar. Meu nome com o teu, minha boca na tua, dançar com você no meio da rua. Eu só quero amar.








.jpg)
.jpg)
.jpg)


.jpg)

